O caminho para uma nova vida!!

Álcool

Efeitos – A primeira sensação que o álcool provoca é de segurança. O usuário se sente desinibido e solta suas emoções. Depois vêem os efeitos depressores como falta de coordenação motora e sonolência.

Uso contínuo – Nos jovens, o comportamento é psicológico, ou seja, eles passam a depender do álcool para criar coragem e vencer inibições. Na idade adulta, o dependente pode desenvolver cirrose hepática, problemas cardíacos e hipertensão. Quanto mais cedo uma pessoa começa a beber, maior é a possibilidade de se tornar dependente.

Estatísticas – Os índices são assustadores. Cerca de 51% das crianças entre 10 e 12 anos já experimentaram bebida alcoólica e 15% dos jovens entre 10 e 18 anos consomem álcool freqüentemente (até cinco dias na semana).

Anfetamina ( Moderadores de Apetite )

Efeitos – Dá sensação de euforia e provoca perda do apetite, sendo muito usado em dietas. Os efeitos colaterais mais comuns provocados pela droga são depressão, ansiedade, irritação, tonturas e tremores.

Uso contínuo – O uso contínuo desta droga desenvolve doenças como anorexia, bulimia e problemas psíquicos.

Estatísticas – O uso é maior entre meninas em busca de emagrecimento em um índice de 4%.

Ansiolíticos ( Calmante )

Efeitos – O uso de medicamento ansiolíticos pode ser desde ao combate a insônia até tratamento de patologias graves. Seu efeito principal é tranqüilizante, porém se misturado com álcool, pode levar ao coma.

Uso contínuo – Seu uso contínuo leva à dependência.

Estatísticas – Cerca de 5,8% dos jovens já experimentaram, sendo as meninas a maioria.

Cigarro

Efeitos – Nos primeiros momentos a nicotina provoca uma leve sensação de euforia.

Uso contínuo – Com o tempo, o fumante tem o fôlego prejudicado e garganta irritada. O fumo altera o metabolismo e compromete o desenvolvimento do corpo de um jovem, alem de causar doenças fatais como o câncer de pulmão e enfisema pulmonar. O pior, é que o cigarro é socialmente admitido. Em cada dez pessoas que tentam parar de fumar, nove desistem. 

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Verdades e Mitos

Verdades e mitos sobre o crack

O crack é um problema dos grandes centros urbanos. Verdade ou mito?

Mito. O crack é amplamente consumido na região de São Paulo e avançou rapidamente para a maioria dos grandes centros urbanos de todo o país. Porém, já existem relatos de cidades do interior e mesmo de zonas rurais afetadas por problemas relacionados ao tráfico e consumo desta substância.

O crack é pior que a maconha e a cocaína. Verdade ou mito?

Verdade. O crack e a maconha são drogas com efeitos diferentes. Uma vez que o crack deixa o indivíduo mais impulsivo e agitado, e gera dependência e fissura de forma intensa, ele termina tendo um impacto maior sobre a saúde e as outras instâncias da vida do indivíduo do que, em geral, se observa com a maconha. Em relação à cocaína, apesar de serem drogas com a mesma origem, o efeito do crack é mais potente do que a cocaína inalada. Por ser fumado, o crack é absorvido de forma mais rápida e passa quase que integralmente à corrente sanguínea e ao cérebro, o que potencializa sua ação no organismo.

O crack sempre faz mal à saúde. Verdade ou mito?

Verdade. O uso dessa droga compromete o comportamento como um todo. Por ser uma substância altamente estimulante, várias funções ficam comprometidas, mas as mais afetadas são a atenção e a concentração, a falta de sono, além de gerar quadros de alucinação e delírio.

É possível se livrar do crack. Verdade ou mito?

Verdade. É possível se recuperar da dependência do crack. O usuário deve procurar tratamento adequado e contar com apoio familiar, social e psicológico para superar a dependência química.

O usuário de crack é sempre violento. Verdade ou mito?

Mito. Usuários que já possuem uma tendência à agressividade podem ficar mais violentos quando estão na fase de “fissura” ou abstinência da droga. Apesar de haver sempre uma deterioração das relações sociais, especialmente no ambiente familiar, a violência não é uma conduta padrão

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Fonte: brasil.gov.br

 

http://tribunaregiao.com.br/cotidiano/noticias.php?idNot=22899

O carnaval é para os brasileiros a festa mais esperada do ano. Diferente de todas as outras, é o momento de se divertir como nunca, é como se vivesse cada dia que antecede a quarta-feira de cinzas como se fosse o último. No meio da festa mais sensual brasileira, para muitos, vale tudo, de experimentar coisas novas a fazer tudo o que se tem vontade. No entanto, é sempre bom lembrar que algumas ações podem ter consequências para além dos dias de folia, até mesmo para a vida inteira, portanto, curtir de maneira intensa, mas com responsabilidade é fundamental para um divertimento saudável e seguro.

Regada por muita música, sexo e drogas, a diversão proporcionada pelo carnaval pode se tornar um pesadelo para àqueles que não se cuidam. A liberação sexual que o Carnaval estimula só é vista com bons olhos desde que a camisinha se faça presente, uma vez que nessa época é que ocorre a maior contaminação pelo vírus HIV.

Além do sexo, carnaval também está ligado a drogas, e estas podem ser interpretadas de diversas maneiras. Para o jovem Alberto, de 22 anos, usuário de maconha desde os 18, o carnaval é o momento do ano em que faz tudo que tem direito, inclusive o uso de drogas ilícitas, para ele, um baseado é tão prejudicial para a sociedade quanto uma garrafa de cerveja, que é lícita permitida por lei.

Já para Fernando, hoje com 31 anos, todo tipo de droga acaba prejudicando de alguma maneira tanto o usuário quanto a sociedade, e toda atitude sem responsabilidade pode trazer sérios problemas, e foi justamente isso que o fez ficar paraplégico aos 20 anos no último dia de carnaval de 1998, quando sofreu um grave acidente. Fernando lembra que o amigo que estava dirigindo havia bebido a noite toda, e que todos estavam “doidões” no carro e pedindo cada vez mais velocidade. O resultado: uma tragédia.

O carnaval realmente é uma excelente festa, desde que aproveitada com responsabilidade, portanto, dance, curta, aproveite ao máximo. Mas lembre-se, após os dias de folia ainda existe vida! Responsabilidade e diversão combina muito bem com Carnaval.

Manual das Drogas

Droga faz a gente viajar? Faz.
Faz a gente fluir? Faz.
Faz a gente sonhar? Também faz.
Então o negócio é curtir.
E quando você quiser parar, você pára. Certo?
Errado. Completamente errado!
Pesquisas indicam que em cada cinco alunos universitários, um já fez uso de droga e que 70% deles ficam dependentes.

Independente da forma (ingerida, injetada, inalada ou absorvida pela pele), as drogas entram na corrente sanguínea e atingem o cérebro alterando todo seu equilíbrio, podendo levar o usuário a reações agressivas.
Aproveitando o Carnaval, um dos eventos apontados como o marco de iniciação de muitos jovens ao mundo das drogas, segue algumas informações sobre o que fazem a seus usuários. Confira.

CIGARRO: A nicotina presente em um só cigarro consegue aumentar a produção de hormônios receptores no lobo frontal do cérebro, no hipocampo e no cerebelo que envolve a memória a longo prazo. Desta forma, dois dias após ter fumado um único cigarro, o indivíduo passa a ter necessidades da droga no organismo. A manifestação da dependência à droga ocorre por causa das adaptações que o organismo faz para recebê-la na busca por manter seu equilíbrio químico e funcional.

ÁLCOOL: Apesar de ser uma droga psicotrópica, ela atua no sistema nervoso central, podendo causar dependência e mudança no comportamento. Os efeitos do álcool são percebidos em dois períodos, um que estimula e outro que deprime. No primeiro pode ocorrer euforia e desinibição. Já no segundo ocorre descontrole, falta de coordenação motora e sono. Os efeitos agudos do consumo do álcool são sentidos em órgãos como o fígado, coração, vasos e estômago. Para os viciados no caso de suspensão do consumo, pode ocorrer confusão mental, visões, ansiedade, tremores e convulsões.

LANÇA-PERFUME: conhecida também como a droga dos carnavais. O lança-perfume é um solvente à base de cloreto de etila, éter, clorofórmio e essência perfumada. Essa substância é absorvida pela mucosa pulmonar, sendo seus componentes levados, via corrente sanguínea, aos rins, fígado e sistema nervoso. Liberando adrenalina no organismo, acelera a frequência cardíaca, proporcionando sensação de euforia e desinibição ao mesmo tempo em que confere perturbações auditivas e visuais, perda de autocontrole e visão confusa. Como seus efeitos são rápidos, os usuários tendem a inalá-lo diversas vezes, potencializando a ação de seus compostos sobre o organismo. Assim, seu uso pode desencadear em quadros mais sérios, como falta de ar, desmaios, alucinações, convulsões, paradas cardíacas e morte. Além disso, por alterar a consciência do indivíduo, permite com que este esteja mais vulnerável a acidentes.

COCAÍNA: é uma droga psicoativa que estimula e vicia, promove alterações cerebrais bastante significativas que faz com que o usuário vivencie sensações de poder, entretanto tais efeitos têm pouca duração. Logo o indivíduo entra em contato com a realidade, aspecto que desperta uma grande ansiedade em poder utilizá-la novamente. Se consumida por muito tempo, ocasiona danos cerebrais e diversos outros problemas de saúde como: aceleração ou diminuição do ritmo cardíaco, dilatação da pupila, elevação ou diminuição da pressão sanguínea, calafrios, náuseas, vômitos, perda de peso e apetite.
MACONHA: Muitos acreditam que não vicia por ser natural, ou seja, por não possuir composição de produtos químicos, mas isso é um erro. Ela vicia e provoca efeitos alucinógenos.

CRACK: O consumo do crack é maior que o da cocaína, pois é mais barato e seus efeitos duram menos. Por ser estimulante, ocasiona dependência física e, posteriormente, a morte por sua terrível ação sobre o sistema nervoso central e cardíaco. Seu uso gera aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremores, excitação, maior aptidão física e mental.

ECSTASY: também conhecida como bala, no cérebro, age aumentando a produção e a diminuição da reabsorção da serotonina, dopamina e noradrenalina. Seus efeitos surgem após 20 e 70 minutos, atingindo estabilidade em duas horas. Os efeitos físicos são taquicardia, aumento da pressão sanguínea, secura da boca, diminuição do apetite, dilatação das pupilas, dificuldade em caminhar, reflexos exaltados, vontade de urinar, tremores, transpiração, cãimbras ou dores musculares. Quanto aos efeitos psíquicos, o ecstasy ocasiona sensação de intimidade e de proximidade com outras pessoas, aumento da comunicação, da sensualidade, euforia, despreocupação, autoconfiança e perda da noção de espaço.
Em longo prazo podem ocorrer alguns efeitos, tais como lesões celulares irreversíveis, depressão, paranóia, alucinação, despersonalização, ataques de pânico, perda do autocontrole, impulsividade, dificuldade de memória e de tomar decisões.

Para Bianca Bergamo Savietto e Marta Rezende Cardoso, psicólogas do programa de pós-graduação em Teoria Psicanalítica do Instituto de Psicologia da UFRJ, a adição em drogas possui relação com o desamparo ocasionado pela atual configuração das famílias.

 Segundo as autoras, a definição de desamparo “ultrapassa em muito uma vertente biológica, isto é, não pode ser limitada à idéia de um estado de insuficiência psicomotora que seria própria ao bebê”. E mais: “entender o desamparo sob uma ótica exclusivamente biológica significaria considerar o aparelho psíquico a partir de um ponto de vista evolucionista segundo o qual o desenvolvimento do psiquismo caminharia de um estado de dependência absoluta em relação a outrem para uma condição ‘madura’, na qual a situação de desamparo viria a ser superada”, afirmam na revista Psicologia em Estudo de janeiro/março de 2009.

 Elas afirmam que o mundo contemporâneo se caracteriza pela precariedade, instabilidade, e que “estamos, portanto, diante de uma carência de recursos de mediação”. Segundo elas, as famílias contemporâneas estão demasiadamente “fluidas”, e retiram a estabilidade necessária para a formação psicológica e social dos filhos, criando o desamparo. “Compreendemos que a solidez das posições ocupadas por cada membro da família, isto é, sua firmeza e estabilidade, também foi afetada pelo processo de derretimento, de liquefação.

 Deste modo, tanto na esfera da vida pública quanto na da vida privada, o sujeito contemporâneo depara-se com a ausência de autoridades rígidas, de regras e referenciais estáveis, encontrando-se imerso num contexto em que nada mais está ‘dado’e no qual ele é convocado a construir suas próprias referências, a elaborar as normas que regulam a sua existência”, argumentam elas.

 

 Para as autoras, a drogadição se relaciona com essa fluidez característica da família moderna, e é consequência também da “dissolução da autoridade” dos pais. “Em nossa visão, a problemática da drogadição na adolescência contemporânea também aponta – e de maneira particular – para uma dimensão ‘em negativo’ no processo de transmissão, ou seja, para a impossibilidade de esses sujeitos integrarem, em seus psiquismos, a totalidade da herança recebida de seus pais. A presença de elementos ‘irrepresentáveis’ no interior do sujeito produz um efeito, além de ruidoso, altamente ‘intoxicante’, do qual ele pode, paradoxalmente, buscar se defender por meio da intoxicação pela droga. Em relação a este potencial do objeto, poderíamos considerar a drogadicção como uma experiência de construção de um escudo, de contenção à excitação desestruturante”, concluem as autoras, explicando sua hipótese.

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A dependência química não é uma doença aguda. Trata-se de um distúrbio crônico e recorrente. E essa recorrência é tão contundente, que raramente ocorre abstinência pelo resto da vida depois de uma única tentativa de tratamento. As recaídas da drogadicção são a norma. Portanto, a adicção deve ser abordada mais como uma doença crônica, como se fosse diabetes ou hipertensão arterial.

 Considerando o fato da dependência química ser um distúrbio recorrente e crônico, alguns autores mais realistas consideram como um bom resultado terapêutico, tal como se deseja no tratamento da hipertensão arterial, asma brônquica, reumatismo, diabetes, etc, uma redução significativa do consumo da droga, e longos períodos de abstinência, supondo a ocorrência de recaídas ocasionalmente. Muitos acham que este seria um padrão razoável de sucesso terapêutico, da mesma forma que em outras doenças crônicas, ou seja, o controle da doença, mas não a sua cura definitiva.

 Vamos chamar de “psicoativas” as drogas psicotrópicas, portanto, com efeito sobre o Sistema Nervoso Central.

 Convencionalmente, vamos chamar ainda de “psicoativas” as drogas de caráter ilícito, cujo efeito por ela produzido é de alguma forma agradável ao usuário. Pois bem. Quando se usa uma droga psicoativa, o efeito proporcionado por ela adquire para a pessoa um caráter de recompensa prazerosa.

 A maioria das definições de adicção a drogas ou dependência de substâncias inclui descrições do tipo “indivíduo completamente dominado pelo uso de uma droga (uso compulsivo)” e vários sintomas ou critérios que refletem a perda de controle sobre o consumo de drogas.

 As pesquisas, hoje em dia, caminham através da Psiquiatria e da Psicologia Experimental, juntamente com a Neurobiologia. Todas essas áreas se esforçam para identificar os elementos emocionais e biológicos que contribuem para alterar o equilíbrio do prazer (homeostase hedonista), alterações esta que dá origem àquilo que se conhece como drogadicção (droga-adicção). A palavra “adicção”, em português, é um neologismo técnico que quer dizer, de fato, “drogadicção”.

 O tema “drogas” é muito complexo, multidimensional e tem atraído a atenção da maioria dos países. Nas últimas duas décadas, importantes avanços nas ciências do comportamento e nas neurociências vieram contribuir para um melhor entendimento na questão do abuso de drogas e da drogadicção (droga-adicção).

 A neurociência tem identificando circuitos neuronais envolvidos em todos tipos de abusos conhecidos, assinalando regiões cerebrais, neuroreceptores, neurotransmissores e as vias neurológicas comuns afetadas pelas drogas. Também têm sido identificados os principais receptores das drogas suscetíveis de abuso, assim como todas as ligações naturais da maior parte desses receptores.

 Neurologicamente a drogadicção deve ser considerada uma doença. Ela está ligada a alterações na estrutura e funções cerebrais, e isso torna a drogadicção fundamentalmente uma doença cerebral. Inicialmente, o uso de drogas é um comportamento voluntário mas, com o uso prolongado um “interruptor” no cérebro parece ligar-se, e quando o “interruptor” é ligado, o indivíduo entra em estado de dependência química caracterizado pela busca e consumo compulsivo da droga.

 Abstinência como Critério de DependênciaQualquer discussão sobre drogas psicoativas inevitavelmente desemboca na questão sobre a dúvida se uma droga em particular causa ou não dependência, e se essa dependência é física ou psicológica.

 Em essência, essa questão gira em torno de se ocorrem ou não sintomas físicos relativos à síndrome de abstinência quando o usuário pára de consumir a droga, o que é tipicamente chamado de dependência física pelos profissionais da área. Havendo abstinência, considera-se um sinal de que há dependência.

 O que freqüentemente se acreditava era o seguinte; quanto mais graves e exuberantes os sintomas físicos da síndrome da abstinência, mais séria ou perigosa deveria ser a dependência da droga em questão. Mas isso não é verdade. Os sintomas de abstinência que ocorrem, quando ocorrem, atualmente não mais constituem uma questão clinicamente relevante. Clinicamente falando, vejamos por exemplo, os seríssimos sintomas de abstinência da heroína. Apesar de muito dramáticos eles podem, agora, ser controlados com medicação apropriada.

 Por outro lado, é bom saber que muitas das substâncias mais perigosas e causadoras de forte dependência não costumam provocar sintomas físicos graves na abstinência.

 O craque e a metanfetamina são exemplos disso. As duas drogas provocam alto grau de dependência, mas a suspensão do uso causa poucos sintomas físicos de abstinência, muitíssimo menores que aos sintomas da síndrome de abstinência do álcool e da heroína.

 Na realidade, interessa à psiquiatria moderna saber se a droga causa ou não sua busca e uso compulsivo, mesmo diante de conseqüências sociais negativas e de saúde. Essa tem sido, atualmente, a essência da dependência química. Não interessa mais delimitar territórios entre a dependência física e psíquica, pois ambas exercem papel primordial na manutenção do vício.Os esforços terapêuticos devem ser dirigidos não à droga em si, nem tampouco deve ser exclusivamente dirigidos às condições existenciais do drogadicto, mas sim, à pessoa do paciente. Que pessoa é essa sobre a qual se abateu a doença da dependência?

 Devemos considerar a dependência à luz da abstinência, ou seja, só podemos considerar dependente a pessoa que experimenta algum tipo de mal-estar quando abstinente. É por isso que o estudo da dependência química sempre enfocou, conjuntamente, a manifestação da síndrome de abstinência produzida pela interrupção abrupta da administração da droga. Essa síndrome se caracteriza por sinais físicos, como por exemplo, o tremor e alterações do sistema nervoso autônomo nos casos de alcoolismo, ou o desconforto e dor associados à abstinência dos opiáceos, cocaína e heroína e assim por diante. Para entender melhor a Síndrome de Abstinência, notadamente do álcool, veja Delirium Tremens.

 Mas, para conceituarmos a abstinência em si, seja ela devida à supressão da maconha ou da heroína, devemos observar quais são os aspectos clínicos comuns a abstinência de todas as drogas. Talvez a expressão mais adequada para se referir a esse aspecto comum às abstinências em geral seja um estado afetivo negativo. Dentro desse estado afetivo negativo encontram-se várias emoções negativas, como disforia, depressão, irritabilidade e ansiedade.

Síndrome de Abstinência pelo DSM.IVDependência de Substância pelo DSM.IV

Aspecto Popular

 Nesses últimos anos, férteis para a neurociência, têm sido analisados minuciosamente as alterações bioquímicas que ocorrem dentro da célula após a ativação dos receptores por drogas. Essas pesquisas vêm revelando importantes diferenças entre os cérebros das pessoas adictas e das não adictas.

 Não obstante, paralelamente aos avanços científicos em relação à questão das drogas, tem havido um dramático descompasso entre tais avanços científicos e sua repercussão e/ou aplicação junto ao público geral, junto à prática médica, ou junto às políticas de saúde pública.

 Um dos fatos que pode constatar a defasagem entre os fatos científicos e a percepção do público geral sobre o abuso de drogas é, por exemplo, as muitas pessoas que vêem o abuso de drogas e a adicção como problemas sociais a serem resolvidos apenas com soluções sociais. Algumas insistem exclusivamente numa maior atuação do sistema de justiça criminal. A conseqüência dessa defasagem é um atraso significativo no processo de se ter sob controle o problema do abuso de drogas.

 Dia-a-dia a ciência vem nos mostrando que o abuso de drogas e a adicção são também problemas de saúde. Uma importante barreira à compreensão da drogadicção sob um modelo médico e de saúde é o tremendo estigma associado ao usuário de drogas ou ao drogadicto. Quando a opinião pública é mais benevolente sobre um adicto em drogas, considera-o vítima da sua situação social. Quando não benevolente, a sociedade clama por punições contundentes ao “drogado”.

 A visão popular mais comum sobre os drogadictos é que são pessoas fracas e más, que não querem levar uma vida norteada por princípios morais nem controlar seu comportamento e a satisfação de seus desejos. Há muitas pessoas que acham que pessoas adictas não merecem nem receber tratamento ou, o que é pior ainda, algumas pessoas consideram aquelas que trabalham na prevenção do abuso de drogas, como também portadoras de ideologias diferentes do público geral, portanto, passando a ser igualmente problemáticas e indesejáveis.

 A divergência entre a maneira de ver o usuário de drogas como uma “pessoa má” e de vê-lo como um “portador de doença crônica” é de fundamental importância para a compreensão e atuação junto ao problema.

Aspecto Social

 Seria a drogadicção uma doença? Essa é uma pergunta de conotação muito mais sociológica que médica. A medicina e a psicologia investem em muitas pesquisas partindo do pressuposto que se trata, no mínimo, de uma condição anômala no controle dos impulsos. Se a drogadicção não fosse uma anomalia, pela lógica, não se poderia pesquisá-la tanto assim, pois a medicina não costuma pesquisar entusiasticamente o normal.

 A drogadicção não é apenas uma doença a nível cerebral. Melhor seria vê-la como uma doença cerebral onde os contextos sociais em que se desenvolveu e se manifestou têm importância crítica. Um dos elementos sociais envolvidos na drogadicção é a exposição a estímulos condicionantes. Esses estímulos podem ser importantes fatores na vontade de consumir drogas e mesmo nas recaídas que acontecem depois de tratamentos bem-sucedidos.

 A importância dos contextos sociais (estímulos ambientais) no desenvolvimento da drogadicção pode ser exemplificada pelos drogadictos em heroína que adquiriram o vício na guerra do Vietnã. Depois da guerra e de volta aos seus lares, o tratamento dessas pessoas foi muito mais fácil e com muito mais êxito que o tratamento de drogadictos por heroína que adquiriram o vício nas ruas e longe da guerra.

 Para os soldados viciados os estímulos ambientais (que não existiam mais depois da guerra) foram prioritários sobre os elementos pessoais. Para os viciados nas ruas talvez não se possa dizer o mesmo.

 Devemos entender a dependência química como uma doença bio-psíco-social, formada por componentes biológicos, psicológicos e de contexto social. É claro que as estratégias de abordagem do problema devem incluir, igualmente, elementos biológicos, psicológicos e sociais. Por isso não deve ser tratada apenas a doença cerebral subjacente à drogadicção, más tratar, sobretudo, as alterações emocionais do paciente, bem como abordar os problemas sociais.

 As entidades sócio-comunitárias que lidam com o assunto, muitas vezes preferem não se envolver nessa discussão. Entretanto, faz parte da compreensão dos “Narcóticos Anônimos” que a adicção é, de fato, uma doença.

 De fato, nas instituições grupais que lidam com esse problema, quando se aceita o fato de tratar-se de uma doença, sobre a qual somos impotentes (como costumam dizer), tal aceitação fornece uma base para a recuperação através de programas de ajuda mútua, como é o caso dos Doze Passos dos Narcóticos Anônimos.

 Para esses grupos de auto-ajuda, a pessoa com Drogadicção se apresenta ativamente (usando a droga) ou não, mas sempre será apropriada a utilização da palavra “doença” para descrever a condição do adicto.

 Como a questão das drogas ultrapassou em larga escala os limites da medicina, os profissionais das diversas áreas, desde a medicina, religião, psiquiatria, legislação, até o direito penal, definem a adicção em termos que são apropriados para suas atuações.

Aspecto Psicológico

 Estudando psicologicamente a formação de hábitos, veremos que, como comprovam estudos experimentais de psicólogos comportamentais, todos os comportamentos reforçados por uma recompensa positiva (agradável) tendem a ser repetidos e aprendidos. As futuras e sucessivas repetições tendem a fixar não só esse comportamento que conduz à recompensa mas, também, pode fixar os estímulos, sensações e situações eventualmente associados a esse comportamento. Os usuários de drogas referem, por exemplo, que ao ver certos lugares ou pessoas, ao ouvir certas músicas, etc., experimentam grande vontade de usar a droga.

 A psicologia social identifica elementos importantes que podem estar envolvidos na falta de autocontrole para o consumo de drogas, bem como em outros comportamentos descontrolados, tais como fazer apostas, comer de forma compulsiva, etc. É de interesse formular conceitos que expliquem como essas falhas de regulação levam, em última instância, à adicção no caso do uso de drogas ou a um padrão de tipo adictivo em comportamentos não relacionados ao consumo de drogas.

 Um dos conceitos é o chamado “sofrimento em espiral”. O sofrimento em espiral é um conceito segundo o qual, em alguns casos, uma primeira falha de autocontrole levaria a um sofrimento emocional, sofrimento este que inicia um ciclo de falhas repetidas de autocontrole, onde cada falha traz mais sentimentos negativos à pessoa, como sentimentos de culpa, por exemplo.

 Assim, a primeira experiência de consumo de drogas pode se repetir de acordo com as circunstancias pessoais e sociais, ocasionando uma recaída e dando surgimento a falhas no autocontrole. Nesse caso, o conceito de sofrimento em espiral será utilizado para descrever o desregulação progressivo do sistema cerebral de recompensas no contexto dos ciclos repetidos de adicção.

 Um dos elementos psicológicos muito provavelmente implicados na manutenção da dependência seria o grande desconforto das síndromes de abstinência. Essa crise de mal estar seria uma das bases explicativas para o uso compulsivo e continuado da drogas.

 Embora a idéia da abstinência como favorecedora da manutenção da dependência seja motivo de controvérsias, existem evidências cada vez maiores sobre a presença de estado afetivo negativo (comum nas abstinências) pode favorecer o início do desenvolvimento de dependência, bem como contribuir para a vulnerabilidade à recaídas.

Para referir: Ballone GJ – Adicção, Drogadicção, Drogadicto – in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2005

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…A lenda pessoal é aquilo que você sempre desejou fazer. Todas as pessoas, no começo da juventude, sabem qual é sua lenda pessoal.

Nesta altura da vida, tudo é claro, tudo é possível, e não temos medo de sonhar e de desejar tudo aquilo que gostaríamos de fazer. Entretanto, à medida em que o tempo vai passando, uma misteriosa força começa a tentar provar que é impossível realizar a Lenda Pessoal.
Esta força que parece ruim, na verdade está ensinando a você como realizar sua Lenda Pessoal.
Está preparando seu espírito e sua vontade, porque existe uma grande verdade neste planeta: seja você quem for, quando quer com vontade alguma coisa, é porque este desejo nasceu na alma do Universo.
É sua missão na Terra.
(O Alquimista)

Paulo Coelho

Como o Chico Xavier dizia: “O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum… é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Se não a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos”.
BOA NOITE!

No que tange ao consumo das drogas psicotrópicas, a religião vem sendo claramente identificada como um fator protetor ao uso de drogas, tanto no Brasil quanto no exterior. Entre os estudos que se referem à relação existente entre a religião e as drogas, um dos mais antigos foi realizado na Irlanda e teve como amostra 458 estudantes universitários daquele país. Notou-se maior consumo de álcool entre os estudantes com menor crença em Deus e menor freqüência aos cultos religiosos (Parfrey, 1976).

Dentro desse item que trata dos aspectos gerais, por nos parecer mais didático, optou-se pela apresentação cronológica dos principais estudos científicos sobre o tema. Como será visto adiante, todos têm característica quantitativa e utilizam meios estatísticos para avaliar correlação entre a religiosidade e o consumo de drogas, sem, contudo, enfocar os mecanismos estruturais
do fenômeno.

Em um estudo realizado com 2.066 adolescentes canadenses, Adlaf e Smart (1985) examinaram a relação entre o uso de drogas e diversas formas de mensuração da religião, como a afiliação religiosa, a religiosidade e a freqüência à igreja. A afiliação religiosa não diferiu entre os usuários de drogas, quer eles fossem católicos, protestantes e sem religião. Por outro lado, os índices de religiosidade e a freqüência à igreja diferiram entre os usuários e os não-usuários de drogas de forma significativa. Aqueles que pouco freqüentavam a igreja ou que, de alguma forma, não praticavam a sua religião eram os mais propensos a ser usuários de álcool e de outras drogas.

No estudo de Lorch e Hughes (1985), realizado com 13.878 estudantes, a importância dada à religião foi o fator protetor fundamental para o não consumo de drogas, pois, quanto maior era a importância dada à religião, menor era o envolvimento com as drogas.

Cochran et al. (1988) estudaram a relação entre a religiosidade, o uso de álcool e a percepção do uso irracional deste, tendo para isso utilizado os dados obtidos no General Social Survey de 1972 e 1984, com 7.581 pessoas maiores de 18 anos. Os autores verificaram que as pessoas sem religião eram mais propensas a utilizar o álcool e que os batistas eram os menores consumidores desta substância. Posteriormente, Midanik e Clark (1995), seguindo a mesma metodologia para os levantamentos dos anos de 1984 a 1990, corroboraram esses achados, apontando para a evidência de que as pessoas com maior índice de religiosidade apresentam menos problemas relativos ao consumo de álcool.

Hawks e Bahr (1992) sugeriram que a religiosidade, expressa pela prática de uma religião, retarda o primeiro uso do álcool, também influenciando a menor freqüên­cia posterior do seu consumo. As suas observações confirmaram que a freqüência a igrejas e sinagogas estaria inversamente relacionada com o uso de álcool e de outras drogas. No mesmo ano, na Espanha, Luna et al. (1992) verificaram, em uma investigação entre 955 estudantes universitários, que aqueles que consideravam a religião algo importante nas suas vidas eram os mesmos que relatavam menor consumo de álcool e outras drogas, assim como consideravam perigoso o consumo dessas substâncias.

Koenig et al. (1994), ao examinarem a relação entre o alcoolismo e as diversas atividades religiosas, constataram que as pessoas que freqüentavam a igreja regularmente e eram engajadas em preces e leituras da Bíblia apresentavam índices significativamente menores de alcoolismo.

Em Trinidad e Tobago, Singh e Mustapha (1994), em um estudo com 1.603 estudantes secundaristas, identificaram quatro variáveis religiosas claramente relacionadas com menor envolvimento do consumo de drogas, que foram as seguintes: aderir e participar de programas religiosos para jovens; valorizar os ensinamentos religiosos; considerar importante crer em Deus e considerar importante orar quando se está diante de alguma dificuldade.

No ano seguinte, na Alemanha, seguindo a idéia de Luna et al. (1992), Cronin (1995), em um estudo com 216 estudantes, verificou que o consumo de drogas foi significativamente maior nos do ensino médio que davam pouca importância para a religião e para a espiritualidade.

Dois levantamentos, realizados entre estudantes universitários nigerianos, apontaram para a constatação de que a ausência de uma religião se relacionava a uso maior do álcool, do tabaco e da maconha (Ndom e Adelakan, 1996). Dez anos depois, seguindo os mesmos padrões metodológicos, esse fato também se verificou em um estudo realizado entre adolescentes que viviam nos Estados Unidos (Sinha et al., 2006).

Em um estudo com 1.902 irmãs de famílias religiosas ou não-religiosas, pôde-se constatar que a religiosidade da família foi um dos fatores determinantes do ambiente doméstico saudável e não conflituoso, pois diminuiu consideravelmente o risco do abuso de drogas por elas (Kendler et al., 1997).

De acordo com o gênero, alguns estudos apontam para uma diferença no que diz respeito à postura diante da religiosidade e do consumo de drogas. Em um levantamento americano realizado entre 210 estudantes universitários, notou-se que, especialmente nas mulheres, a crença religiosa estava relacionada à cautela em relação ao consumo do álcool e das drogas, assim como aos padrões de comportamento sexual. Já para os homens, a religiosidade só foi identificada como protetora do consumo de outras drogas, que não o álcool e o tabaco (Poulson et al., 1998). Na Escócia, essa relação também foi verificada entre os estudantes universitários dos cursos das áreas de saúde e educação, verificando-se que, apesar de tanto os homens como as mulheres praticantes de uma religião consumirem menos drogas dos que os não pertencentes a nenhum grupo religioso, eles sempre faziam um consumo mais intenso do que elas, sendo eles também mais tolerantes em relação ao consumo de drogas lícitas e ilícitas (Engs e Mullen, 1999).

A devoção pessoal, expressa essencialmente pelas orações dirigidas a Deus, mostrou-se inversamente associada ao abuso e à dependência das drogas psicotrópicas, com a exceção do tabaco, entre os adolescentes entrevistados pelo Nacional Comorbidity Survey nos EUA (Miller et al., 2000).

Sutherland e Shepherd (2001), comparando aspectos sociais da vida dos usuários e dos não-usuários de drogas em Gales, sugeriram que a falta de uma crença religiosa atuaria como um fator de risco para o consumo de drogas, e a relação negativa entre a crença em Deus e o consumo de drogas ilícitas se torna mais forte conforme a idade aumenta. Já para Hodge et al. (2001), maior atividade religiosa, expressa pela prática de preceitos e pela freqüência a uma igreja, aumentaria a possibilidade de os adolescentes rurais americanos nunca experimentarem álcool.

No que diz respeito à educação religiosa, Miller et al. (2001), estudando, em Nova York, os filhos dos consumidores de heroína vinculados a programas de substituição desta pela metadona, afirmaram que as crianças do grupo experimental com algum tipo de educação religiosa, em geral oferecida pelos adultos não dependentes de drogas, tiveram menor propensão ao envolvimento com drogas do que as que nunca se submeteram a uma formação religiosa.

Também entre as crianças e os jovens caribenhos, dos 10 aos 18 anos, aqueles que estavam envolvidos com algum grupo religioso, freqüentando as atividades religiosas, apresentavam menos comportamentos de risco, inclusive em relação ao consumo de álcool e de drogas, o que evidencia o papel protetor da religiosidade do domínio público (participação em grupos religiosos) (Blum et al., 2003). No entanto, para Nonnemaker et al. (2003), parece que a religião se apresenta protetora do uso experimental de drogas apenas entre os adolescentes que obtiveram pontuações elevadas nos quesitos relativos ao domínio privado (prece individual) da sua religiosidade, expresso pelo número de orações semanais e pela importância dada à religião. A religiosidade privada parece ser a responsável por reduzir o impacto dos eventos estressantes na vida, que é determinante para o início do consumo de substâncias psicotrópicas (Wills et al., 2003).

Quando se buscou a existência da influência da religiosidade no consumo de drogas, relacionada com a questão da raça, Wallace et al. (2003) verificaram que, apesar de maior número de jovens negros norte-americanos se declararem religiosos, a relação entre a religiosidade e a abstinência do álcool e da maconha foi mais intensa entre os brancos. Tal evidência já havia sido identificada em uma pesquisa baseada em dados de um levantamento nacional, realizada neste mesmo país (Amey et al., 1996).

Também na Hungria, um estudo com 1.240 adolescentes se evidenciou a relação inversa entre o consumo de tabaco, de álcool e de maconha, e a prática religiosa (Piko e Fitzpatrick, 2004).

Nos sete países da América Central, também foi possível identificar a religiosidade como um fator protetor. Um estudo epidemiológico com cerca de 13 mil estudantes dessa região identificou que a prática religiosa, expressa pela freqüência à Igreja Católica ou Protestante, estava inversamente relacionada com os consumos prematuros do cigarro e da maconha, além de também diminuir as chances de exposição ao álcool (Chen et al., 2004).

Em um estudo aleatório com os pacientes que deram entrada em três pronto-socorros na cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, verificou-se que a participação regular em uma igreja teve significativo impacto positivo diante do consumo de álcool nas seis horas anteriores à entrada na sala de emergência (Bazargan et al., 2004).

No intuito de compreender o mecanismo pelo qual a religiosidade poderia ser considerada protetora do consumo de drogas, Stylianou (2004), por meio de questionários enviados por e-mail, investigou padrões de consumo e conceitos de religiosidade em 276 estudantes universitários do Chipre. Os resultados sustentaram a hipótese de que a religiosidade controla indiretamente as atitudes perante o consumo de drogas pela percepção da imoralidade que o ato representa em si próprio.

No ano de 2006, dois estudos que trataram do consumo de drogas, especificamente entre mulheres de risco, apontaram para o papel protetor da religiosidade como sendo algo que as influenciou, levando-as a menor consumo de drogas (Klein et al., 2006), assim como favoreceu sua diminuição quando este já era praticado (Brown, 2006).

No Brasil, não há muitos estudos nesta área, no entanto, recentemente, foi publicado um estudo qualitativo que corrobora os achados internacionais quantitativos, evidenciando que a maior diferença entre os adolescentes usuários e os não-usuários de drogas psicotrópicas, de classe social baixa, era a sua religiosidade e a da sua família. Nesse estudo, os autores observaram que 81% dos não-usuários praticavam a religião professada por vontade própria e admiração, mas apenas 13% dos usuá­rios faziam o mesmo. Nesse segundo grupo, porém, a prática religiosa estava diretamente relacionada à busca da reabilitação diante do consumo de drogas, mas essa só começou após o início do consumo abusivo destas (Sanchez et al., 2004).

Dalgalarrondo et al. (2004), ao avaliarem 2.287 estudantes de escolas públicas e particulares de Campinas (SP), verificaram que o uso intenso de pelo menos uma droga (álcool, tabaco, medicamentos, maconha, solventes, cocaína ou êxtase) foi maior entre os que não tiveram educação religiosa na infância.

Por fim, no ano de 2006, os pesquisadores da Universidade de São Paulo, em um estudo com 926 estudantes universitários paulistanos, publicaram seus achados epidemiológicos afirmando que, aqueles que possuíam uma renda familiar alta e não professavam alguma religião, eram os que correriam maior risco de consumir drogas (Silva et al., 2006). Além disso, esse mesmo estudo detectou a ausência de bebedores excessivos entre os espíritas e os protestantes praticantes.

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